Doce- amargas

{Doce- amargas} prosas poéticas erráticas

R$35,00

Descrição do produto

Naquela segunda sem feira, recém-liberta do consultório médico, relia em letras garrafais o (obsceno) diagnóstico: distúrbio vocabular obsessivo autoimune. Não podia negar que os sintomas vinham pipocando a seios nus. Mas dar nome e sobrenome àquilo que, piscadelas atrás, era universo só? meu, não se revelou tão açucarado assim.

 

No balcão da farmácia, as sobrancelhas arqueadas do atendente se traduziram em longos instantes de incógnita. As tentativas de perguntas interrompidas em (con)sequência também. Então, em um ato triunfal de resignação, quando finalmente decidiu dividir a própria angústia e a receita, a ideia {ainda prematura} desse livro nasceu. Bem ali. Entre a incompreensão silenciosa do atendente, algumas cápsulas efervescentes de aspirina e a claridade ofuscante e impiedosa de uma farmácia 24h.

 

Há (contra)tempos mesclo ficção e realidade. E gozo quando atinjo o limiar da indistinção entre as duas. Tenho quedas por verborragia, mas me deixo seduzir pela síntese. Miro na prosa e acerto na poesia. Se quero a doçura, sou rascante. Se por aventura busco o concreto, mergulho no lírico. Transito entre as (bi)polaridades e me assumo como a versão menos perene de mim.

 

Enquanto viajava galáxias e planetas e asteroides e outros xis corpos celestes na velocidade da luz delineando o parágrafo anterior, o mesmo atendente da mesma farmácia da claridade ofuscante e impiedosa (ainda) me fitava com os mesmos olhos esbugalhados. Quando percebi que já havia causado um reboliço e tanto na rotina pacata de um obstinado farmacêutico, pedi desculpas pelo transtorno e saí dali o mais rápido que pude – o que, literalmente, não foi tão rápido assim.

 

Na solidão da rua ensolarada, mais uma passageira na calçada, relia em letras garrafais o (obsceno) diagnóstico: distúrbio vocabular obsessivo autoimune. A patologia não me espantava como antes. Mas a receita, a receita que não seguia os padrões pragmáticos habituais, me incomodava cada inspiração & expiração mais.

 

Uso {extremamente} interno: 1. Tomar pílulas de cautela a cada escolha de palavras – as danadas são vingativas, embora não pareçam, ou melhor, embora não deixem (trans)parecer. 2. Ingerir doses homeopáticas de melancolia em caso de extrema! necessidade – sua veia melodramática já salta aos poros até mesmo a contragosto. 3. Overdose, sem pó nem piedade, de desleixo, duas vezes ao mês, ao perceber que o cérebro está a ponto de fritar um, dois, seis ovos mexidos. 4. Por último, mas não menos importante, ouvir Caetano todas as manhãs. Ninguém pode ou deve achar que vai se curar de qualquer doença nesse mundaréu se não ouvir Caetano. Odara. No repeat. E me dê notícias.

 

As notícias vieram em formato de doce-amargas prosas poéticas erráticas. Resolvi soltar meus dragões no (gira)mundo. Salve-se quem puder {e quiser}.

Informação adicional

Isbn

978-85-67009-11-7

Autor

Luiza Prado

Páginas

80

Edição

1

Ano

2017

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